Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Primeiras Impressões do Discworld

Terminei de ler A Cor da Magia esses dias. Nunca pensei que riria tanto lendo algo que não fosse feito pelo Douglas Adams (e sem o mesmo apelo nerd).

Pratchett é mestre, e tive esse insight quando li pela primeira vez Belas Maldições, mas naquele caso ele tinha o Gaiman como companheiro, podia ser sorte, mas lógicamente não era, ora pois. As acusações que fazem contra o Terry são bem justificadas, afinal, ele é culpado de literatura. Mesmo.

Agora ao mundo do disco. Sempre que tento criar algum mundo novo, seja ele para uma aventura de rpg ou para os meus pretensos e futuros romances fantásticos, me perco nos detalhes das criações de... detalhes. Não consigo avançar ser ter boas explicações para tudo. Mas nem de longe acho ruim, afinal, quem me deixou assim foi Tolkien.

Mas lendo o primeiro livro, vendo como o mundo foi sendo construído no passar dos capítulos, me toquei, finalmente. Não preciso mostrar como os detalhes do mundo foram criados pelos seus deuses ou seja lá que entidade sobrenatural de extremo poder tenha pensado. O Discworld simplesmente acontece. Morpork é uma grande cidade, cheia de tradição, e nem por isso o livro discorre sobre suas origens, seus governantes passados, suas instituições... o leitor não precisa disso. Talvez eu precise, mas isso fica na minha cabeça ou num bloco de notas perdido, que pode ser publicado após o iminente sucesso.

O que eu quis dizer com tudo isso é que o mundo circular sobre quatro elefantes simplesmente funciona, sendo o que é, com suas explicações metafisicas-misticas. Os personagens se encaixam perfeitamente na grande bagunça equilibrada pelos jogos dos deuses. Rincewind não é nenhum Arthur Dent, mas eles poderiam ser amigos. Perseguido pelo Morte, com magia demais na cabeça (e que insiste em sair apenas quando seu hospedeiro esta em crise) e com boas doses uma motivação canastrona, esse é o mago Rincewind, baita protagonista, e que os clichês fujam cada vez mais.

Twoflower, o outro, com sua bagagem ambulante, turista, que calcula riscos em tudo (suspeito que por erros de seus cálculos ele faça tudo que faz...) é perfeito como contraparte do mago, sempre querendo saber mais, ver mais, descobrir mais... enquanto Rincewind não quer que sejam descobertos.

Enfim, a trama é veloz, passa por muitas locações incríveis, personagens divertidos, sanguinários, mercenários, safados, enganadores... mas... ahn... tudo harmoniosamente bem colocado. Agora é hora de encarar os outros livros, e espero que sejam tão bons quanto A Cor da Magia, que aliás, se chama octarina.

Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

Para o fim de ano sem um padrão definido, apenas algumas palavras

Hora daquela coisa nomeada retrospectiva, último dia do ano serve pra isso e para festas, segundo a maioria, creio. Num ano onde completo duas décadas solto no mundo, mas preso em amarras invisíveis que qualquer com um pequeno nível de moral e senso comum ainda tem, percebi muitas coisas diferentes.

A faculdade é uma delas, nunca foi o que eu esperava. Uma das áreas de atuação para qual estou quase formado também não me agradou. Sou chato e letárgico demais pra ela, capciosa informática extremamente ramificada. Sou do tipo que prefere os livros que contam coisas legais que foram, são ou que nunca vão acontecer, volumes que trazem consigo cheiros característicos que nos permitem conhecer alguns hábitos higiênicos das pessoas que os possuíram. Ou para quem emprestamos, no pior dos casos. Por isso me identifico muito em diversos posts da Carla, ela tem muita coisa pra contar.

Mais uma coisa diferente, percebi que deixar de agradar pessoas por conveniência pode ser muito bom. Se chato de vez em quando, direcionando um pouco de indiferença e sarcasmo é tão recompensador, ainda mais quando a vítima não vê o golpe chegando e não consegue rebater. Ser um personagem por conveniência da situação cansa.

Alguns avanços conquistados, outros não. Poucos livros lidos, mas qualidade sobre quantidade sempre em foco, afinal, pra mim esse foi o ano do Neil Gaiman. Muitos jogos clássicos e obrigatórios apreciados, dando um bom adeus ao velho de guerra PS2. Muitos mangás, muitos e muitos, de muitos tipos e de muitas classificações, muitos e muitos. Torçam o nariz, puristas ocidentais xenófobos, os quadrinhos do leste já cobrem as comic shops. Falando em lojas de nicho, só consegui um livro de RPG novo esse ano, e ainda nenhum grupo fixo para jogar ou mestrar.

Ainda não aprendi francês nem italiano, mas avancei no japonês solitário enquanto o inglês anda estagnado num canto, exercitado de vez em quando com filmes sem legenda. E eu vi uns muito bons esse ano, mas eu queria achar mais coisa antiga por aqui. E antigas são as bandas que eu passo a gostar, eu tenho um péssimo hábito de adorar música de grupos que já se separaram, ou de artistas que já morreram, não é Schubert? Mande um oi pro Brahms. Sempre deixam uma melodia no ouvido com um sonzinho de quero mais.

Passei, como sempre, a maior parte do ano na minha toca de hobbit, numa colina abstrata, e por mais que haja um pessoal que me encha o saco para sair com eles, eu deixo esses de lado e saio com outras pessoas que não me perseguem. Odeio quando me importunam em excesso. Mas nunca demonstro a raiva. Isso não mudou com o ano.

Tudo aí em cima é apenas um pequeno resumo de um outro, bem maior que não vai ser escrito jamais porque eu acredito piamente que as peripécias reais de um menino-homem não são assim tão interessantes sem um bom toque fantástico. Contar sonhos é mais prazeroso. Mas eu enrolo para isso e acabo criando contos e textos sob a estrutura daquilo que minha cuca montou a noite e coisas novas aparecem, mas quase sempre não são terminadas. Acho que é hora de dar um foco e realmente contar histórias nesse espaço azulado. Espero isso nesse novo ano, porque eu gosto do número 9 em particular, e também porque meu aniversário cairá numa sexta.

Eu me acho confuso de vez em quando, principalmente quando escrevo algumas coisas com vasta liberdade. Não sou o único a pensar assim, espero. Não quero ser unanimidade nesse assunto, por mais confuso que isso possa parecer.

Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

Escrito por alguém que não sabe o que escrever

É tão estranho e ao mesmo tempo tão clichê essa de não saber o que escrever aqui. E nesse sentimento (suspeito que seja algum, ainda não nomeado), nada mais é escrito aqui há dias.

Com esforço esparso vou colocando as letras aqui, uma a uma, como deve ser, acho eu. Não tem nada na minha cabeça que me impulsione a escrever algo elaborado e que atraia atenção de algum incauto visitante. Mas mesmo assim, estou aqui, e as palavras vão saindo de algum jeito.

Amanhã é natal, hoje é véspera, daqui uma semana mais um ciclo acaba e eu não fiz muitas das coisas que queria para esse ano, mas isso é bobagem, essas divisões. Mais uma vez, acho eu que sejam.

Ano que vem: expressão tão usada, e esperada no seu próprio sentido, que depois de uns dias deixa de ser lembrada, com razões. Ela se torna velha muito rápido quando um novo começo já é vivido.

Tantas coisas sem sentido por aí, vou arranjar uma pra fazer agora, como ler mais uma vez o Mochileiro das Galáxias, ou Belas Maldições, e quem sabe Discworld. Mas esses tem sentido, droga, me perco em mim mesmo. Acho eu.

Mas isso tudo deve ser por conta do ócio de fim de ano e de muitas férias, confusão e filmes natalinos que mostram aquele hediondo "espírito" de festividade falso para mim. Depois de uma soneca durante a tarde as coisas voltam a ter foco e minha cuca fica menos parecida com uma obra expressionista aleatória, ou cubista, acho eu.

Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Um causo

Sem inspiração nenhuma pra escrever coisas para outras pessoas lerem aqui, continuo seguindo com meus rascunhos em notepads da vida. Mas na semana passada algo me ocorreu, e foi terrível.

Estava voltando pra casa, da minha última prova da faculdade, uma segunda feita quase chuvosa. Vou até o ponto de ônibus mais distante para não dar a volta em todo o centro da cidade e chegar mais rápido em casa. Até aí tudo perfeito, como sempre fazia.

Espero uns minutos, chega o ônibus, o pessoal se aglomera para entrar, acredito que por causa da chuva que ameaçava cair, com uns pingos esparsos. Sou empurrado para dentro da máquina como mais algumas pessoas, enquanto os de fora faziam pressão para entrar.

Então eu percebo finalmente que no empurra empurra meus óculos caíram no chão, me desespero, procuro e vejo as lentes jogadas de um lado e a armação retorcida, pisoteada por sabe-se lá quem.

O cobrador me olha com uma cara de pena e tristeza, ele não podia fazer nada e nem eu agora. Me joguei num canto, esperei a boiada passar pela catraca e peguei os restos mortais do meu companheiro.

Não falei com ninguém que dirigiu as palavras a mim, tinha tanta raiva... mas não ia explodir em ninguém.

Uma semana depois já estou com um novo par de lentes, mas ainda com ódio do gado humano que age desse jeito por um motivo estúpido, isso é, se existiu uma razão para isso tudo mesmo.

Domingo, 9 de Novembro de 2008

Da minha memória e das peças que ela me prega

Tem uma coisa que me é bem peculiar, não sei se isso ocorre com outros, nunca perguntei, afinal.

Antes de revelar, vale escrever isso ainda: Outros me perguntam o porque se eu sempre andar com um bloquinho de notas em todo lugar onde piso, então eu respondo: Pra anotar idéias. Isso geralmente faz com que eles queiram ver que idéias são essas, mas eu nunca mostro. Na faculdade, graças a minha mochila, levo um caderno específico para anotações. E eu o uso mais do que o caderno que deveria ser realmente mais usado.

Agora sim.

Toda ver que eu anoto alguma coisa, nunca mais olho pra ela (salvo momentos de tédio, e nesses casos normalmente altero seus conteúdos). É uma brincadeira estranha da minha memória. Não preciso mais ler o que escrevi no meu bloquinho ou caderno, sei que elas estão lá e isso me basta para lembrar de toda a idéia, mas não dos detalhes minuciosos.

Isso acontece com muita coisa. Um bom exemplo é com telefones. Não gosto muito de atender porque sou ruim pra passar recados, mas se eu anotar quem foi o fulano que ligou, não preciso nem ler a nota.

Uma pena isso não funcionar muito bem em relação as provas que eu tenho que fazer...

Agora, e se não anotei? Posso lembrar ainda, mas é difícil conseguir. Lembrar de uma coisa tão legal que veio à mente antes de dormir e não quis escrever porque estava com preguiça de buscar o bloco. Isso já aconteceu várias vezes. Agora tenho papel e lápis bem perto da cama.